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A rotina e a construção de saberes sobre tempo e espaço

Escolher a escola onde um filho irá estudar não é uma tarefa simples e nem fácil, pois compartilharemos a formação de alguém muito precioso em nossas vidas.


A primeira coisa que pensamos é: Como será o dia dele? O que ele fará enquanto estiver longe de casa? O que aprenderá? Será bem cuidado? As crianças têm rotina ou fazem o que querem?


Para tirar essas e outras dúvidas sobre que parâmetros uma instituição considera para definir a rotina das crianças no dia a dia da escola, batemos um papo com Walkyria Rodamilans, diretora pedagógica da Escola Lua Nova. E foi tão bom, que o melhor mesmo é publicar na íntegra.


Por Walkyria Rodamilans

A rotina é um referencial de organização de tempo e espaço para todos nós, inclusive para as crianças. Para nos organizarmos em nossa vida cotidiana precisamos de referências de tempo e espaço, não é mesmo? Cada escola organiza sua rotina de acordo com seus princípios pedagógicos. Na prática, é através do projeto pedagógico, do que se acredita ser importante na formação do aluno, que cada instituição elabora o seu currículo. Para começar, a forma como a escola organizará o tempo e o espaço terá desdobramentos para cada grupo e precisa ser compartilhada com as famílias.


Os princípios que norteiam o fazer pedagógico da Lua Nova dizem respeito à infância, à subjetividade, à diversidade, à ludicidade, à autonomia, e a aprendizagem coletiva, aliado ao que o aluno precisa e deseja aprender, e à organicidade que a aprendizagem pede. Tudo isso interfere em todas as nossas ações com as crianças.  Acreditamos que elas precisam estar no centro do projeto pedagógico da escola.

Isso significa que, ainda que a rotina esteja organizada, que todas as atividades estejam planejadas para o dia, há que se ter sensibilidade e escuta ao que o grupo traz. Há situações em que o educador necessita ter flexibilidade na rotina, adiar atividades para cuidar do que envolve a formação moral das crianças, mediar conflitos, ou dialogar sobre situações do mundo que as estão mobilizando.


Papel do educador


Cabe ao educador ser um mediador, estruturando situações para que seus alunos ampliem o conhecimento e desenvolvam a autonomia na postura de estudante, na condição de aprendiz. É preciso que ele organize situações que propiciem aprendizagens significativas, que façam sentido para as crianças, aproximando-as das diversas práticas sociais e culturais, mediando o processo de inserção das mesmas no coletivo social.


O corpo fala


Outro aspecto fundamental que interfere na rotina é o lugar do corpo da criança no mundo. Reconhecer a importância de que este corpo não pode estar por tanto tempo paralisado, que a brincadeira é uma linguagem estruturante da infância, é imprescindível. Assim como reconhecer a importância do tempo de aprendizagem de cada sujeito e garantir que esse processo faça sentido para as crianças. Para levar tudo isso em consideração é preciso sentir a dinâmica do grupo, as suas diversas linguagens, os desafios próprios de cada faixa etária, e ter flexibilidade nos dias para acolher o que chega.


Cotidiano


Na prática, esse cotidiano se consolida em situações aparentemente simples. Por isso, há elementos que se repetem, e precisam se repetir, pois são fundamentais para a criança se localizar nesse tempo e nesse espaço, no período em que está na escola.

O grande desafio na atualidade é favorecer que esta criança possa vivenciar processos, desenvolver rotinas, aprender a atuar com disciplina. Para compreender que, para obter resultados, é preciso empreender etapas, a criança precisa entender que não é num passe de mágica que saímos de um lugar para o outro.


No entanto, não é preciso rigidez nem mera repetição das atividades, e sim realizar atividades similares que tenham objetivos identificados e que estejam próximas de situações que acontecem na vida, conferindo sentido à ação das crianças na aquisição do saber. Seja no brincar, na leitura, na escrita, na corporalidade, nas diversas linguagens que estão no mundo e são inerentes à infância.


Se queremos autonomia e construção de responsabilidades enquanto estudante é preciso que as crianças cheguem no horário de trabalho, pois assim poderão participar, como coautoras, da organização da rotina, do início ao final. Não é à toa que uma das primeiras atividades do dia é o sentar em roda, possibilitando que elas possam se ver, compartilhar experiências e fazer acordos. É também nesse momento que a professora compartilha a rotina daquele dia e consolida os combinados, abrindo espaço para participação do grupo e para o surgimento de situações que precisam ser trabalhadas.


Os desdobramentos dos conteúdos do currículo, relacionados às experiências das crianças, se organizam em forma de projetos, sequências didáticas, atividades permanentes e ocasionais. Mas isso é assunto para outra conversa...

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