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  • Escola Lua Nova

Num Toré pelo respeito e pela valorização da cultura brasileira

Numa grande roda, ao som e no movimento de um Toré, puxado pelo índio Kayomã, da tribo Kariri Xocó, de Alagoas, pais e crianças da Lua Nova entraram em contato com a cultura indígena, conversaram sobre os costumes desse povo e como se formam os preconceitos em relação ao índio no Brasil. Nos dias 20 e 21 de novembro (sexta e sábado), aconteceu a culminância do Projeto Vida de Índio (Grupo 4) quando, mais um uma vez, a Escola Lua Nova e Centro de Estudos proporcionou às crianças uma discussão tão necessária e que, normalmente restrita ao 19 de abril (Dia do Índio no calendário brasileiro), é feita de forma tão superficial e estereotipada, em especial na Educação Infantil.


“Vocês, que têm acesso à internet, são bem informados, me diga, vocês já ouviram falar de índio que rouba? Que mata? Eu não conheço. Se tem... não é algo comum. Índio ama a vida”, disse Kayomã a uma plateia atenta e participativa, após o comentário de uma das mães sobre a importância daquele momento, por ter aquele contato direto com uma pequena mostra da sua cultura, para que se possa fazer um enfrentamento à corrente de preconceitos que são implantados nas crianças e que muitas vezes os pais – também resultado disso – não conseguem perceber do onde vêm.


O encontro é o ponto culminante de um processo de estudo que busca responder a um questionamento: será que todas as pessoas vivem como eu? “A partir do confronto entre a vida urbana e a vida numa aldeia indígena, as crianças aprendem sobre a alimentação, vestuário, modo de vida, reconhecendo nos índios muitas características que constituem a nossa cultura”, explica a coordenadora pedagógica da Educação Infantil da Lua Nova, Patrícia Dantas. Ela também afirma ser fundamental que estas sejam experiências significativas para as crianças e tenham o sentido de aprendizagem, e não simplesmente o cumprimento de uma data que o calendário escolar incorporou e vivencia de forma estereotipada.


“Por ser um projeto que precisa ser construído e vivenciado de forma significativa, revelando a autoria das crianças e também do professor, Kayomã só visita a Lua Nova próximo a sua finalização, em novembro”, conta Patrícia Dantas. Quando as crianças finalmente encontram com Kaiomã, elas já passaram por todo um processo de construção de um saber.


Pesquisas


Ao longo de dois meses, período de realização do projeto, as crianças do Grupo 4 tiveram a oportunidade de conversar com Antônio Pedro da Silva, pai de uma das crianças e mestre em Políticas Sociais e Cidadania. Pedro contou a elas um pouco de suas próprias pesquisas sobre o tema.


As crianças também assistiram a filmes; aprenderam o que é um padrão indígena por meio de pinturas produzidas nas aulas de arte; cantaram, com o professor de música, canções com temas indígenas e dançaram. Conheceram as brincadeiras das crianças de diversas tribos brasileiras, além de sua forma livre de interação com a natureza.


O encontro


Chega o dia. E depois de um intenso mergulho na cultura indígena, elas encontram um índio de verdade. Primeiro, elas sentam-se numa grande roda para conversar com Kayomã e preencher as lacunas ainda existentes e resultantes das pesquisas e experimentações realizadas ao longo do projeto, que, muitas vezes, nascem no confronto com os estereótipos com os quais têm contato desde cedoElas perguntam sobre o modo de vida indígena, experimentam a pintura corporal e fazem um lanche coletivo com comidas típicas.

No dia seguinte, a exposição das obras produzidas ao longo de dois meses de pesquisa e, numa roda ainda maior, que inclui os pais, Kaiomã fala um pouco mais sobre a sua cultura para, em seguida, se entregarem ao embalo cadenciado do Toré - dança típica da cultura indígena. Nesse dia, as crianças recebem das mãos da professora o Livro do índio, resultado final do projeto, que é assinado por elas antes de ser entregue aos familiares.


Solidariedade


Consciente da situação de exclusão que vive o índio hoje no Brasil, e todas as consequências sócio econômicas desse contexto, a escola abre as portas da instituição para que Kayomã e sua família vendam os produtos elaborados por sua tribo. Além disso, a escola, por meio de campanha realizada antecipadamente, recolhe e entrega doações de alimentos não perecíveis, roupas e material de limpeza, arrecadadas junto à Comunidade Lua Nova.


Vida de Índio


Por meio do Projeto Vida de Índio busca-se lançar um olhar sobre a diversidade cultural do país, aproximando e interagindo com o modo de vida de um dos principais responsáveis pela formação do povo brasileiro: o índio.


projeto apresenta para as crianças parte deste mundo em que vivem, bem como resgata a história e origem do povo brasileiro. Ao estudar o modo de vida dos índios, as crianças ampliam a compreensão sobre a vida na sociedade, comparando ou contrastando os valores, costumes e crenças. É também uma oportunidade para combater estereótipos culturais respeitando a diversidade existente em algumas tribos espalhadas pelo Brasil.

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