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  • Escola Lua Nova

Com que roupa eu vou?

A opção da Lua Nova em não adotar o uso de fardas vem desde a sua criação, há quase 35 anos. Pode não parecer, mas por trás desta decisão, nem sempre bem entendida por todas as pessoas, há conceitos pedagógicos de muita importância para a escola, inclusive diretamente relacionados com a questão da identidade pessoal das crianças.


Para a Lua Nova, as roupas fazem parte da construção dessa identidade. Elas acabam por ajudar a criança a encontrar o jeito em que deseja estar no mundo – e ser vista pelo mundo. Isso sem falar que a criança se sente respeitada e acolhida num espaço onde é permitido vir do jeito que achar melhor, vestindo o que lhe agrada, fazendo as suas “combinações” preferidas.


“Quando você padroniza, você impede a criança de desenvolver um estilo próprio, com sua marca, com sua estética, com seu desejo”, observa a diretora pedagógica da Lua Nova, Walkyria Rodamilans. Ela explica que essa padronização representada pela farda acaba interferindo na percepção que a criança tem dela mesma: “É na infância que a criança começa a construir a pessoa que quer ser. As roupas entram como elementos importantes nessa construção. Permitem que ela se diferencie de outras crianças, criando uma identidade própria, abrindo um leque de possibilidades".


Há quem alegue que o fardamento ajuda a impor limites às crianças, incentivando noções de respeito e autoridade. Aliás, foi com esse intuito que a farda escolar nasceu no Brasil por volta da década de 1920, copiando o modelo que prevalecia há mais tempo nas corporações militares de todo o mundo. Sobre a relação farda x respeito, há controvérsias. Walkyria Rodamilans diz, por exemplo, que o uso da farda leva a uma normatização que está muito longe de significar respeito: "Aqui na Lua Nova o limite não é trabalhado só pelo ponto de vista hierárquico. O limite é trabalhado fundamentalmente pelo respeito que devemos ter ao outro, independente de qual seja a sua posição funcional ou social".


O uso de roupas comuns, além disso, favorece a capacidade de conviver com a diversidade. "As crianças são levadas a respeitar aquele estilo que não é igual ao seu. É levada a compreender que somos diferentes, no jeito de ser, de agir e vestir. Isso para nós é um valor, pois estaremos colaborando para a formação de indivíduos mais abertos e tolerantes, com menos restrições e preconceitos", conclui.

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