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Educar, com limites, para a liberdade

“A construção de autoridade perante os nossos filhos envolve liberdade. Isso não implica na falta de limites. Temos que colocar limites, mas nunca de forma autoritária. Educar é uma via de mão dupla. A criança tem que estar necessariamente envolvida no processo”.


Essa foi uma das declarações feitas pelo médico psicanalista paraibano Tarcísio Andrade, na última edição da Roda de Conversa, promovida pela Lua Nova no dia 25 de setembro. A ideia do evento é estar propiciando o debate sobre temas relacionados à infância, a partir de conversas entre pais, professores da escola e outros interessados com um especialista convidado.


Na qualidade de psicanalista e também pai de dois ex-alunos da Lua Nova, Tarcísio Andrade enfatizou a necessidade de se privilegiar os “combinados” no processo educacional, seja na escola ou em casa. Segundo ele, a criança precisa ser respeitada enquanto indivíduo que pensa, tem emoções e pontos de vistas. Um “combinado” expressa respeito à sua individualidade e, ao mesmo tempo, simboliza abdicar do autoritarismo que reveste uma “ordem” por uma conversa respeitosa em que é dada à criança o direito de se manifestar.


- Uma vez que combinamos alguma coisa, a criança pode ser cobrada a cumprir aquilo que combinou. Isso envolve comportamentos mais harmônicos e, sem dúvida, mais produtivos, observa o psicanalista, que ouviu o relato das diversas mães e pais presentes sobre as dificuldades que pontuam a relação com as crianças. “ Educar não é uma tarefa fácil, disse ele, envolve muita paciência, capacidade de diálogo e abandono da punição como regra”.


Segundo Tarcísio Andrade, “nossa cultura é extremamente punitiva e nós, pais, acabamos transferindo essa tendência à punição para dentro de casa. Às vezes nossa necessidade de intervir numa determinada situação acaba chamando mais atenção do que deveria. Temos que ter muito cuidado com isso. Muitas vezes o adulto acaba imputando nas crianças um valor que é dele, pertence a ele”.


Nessa tarefa tão difícil que é educar, como explicou o especialista, “ todos nós vamos errar. Aliás, não há como não errar com os nossos filhos. Mas quando a gente se permite pensar sobre isso, já estamos no processo de produzir uma educação mais satisfatória”, concluiu.

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