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Roda de Pais discute fronteiras e reflete sobre limites

No último dia 27 realizamos a 1º Roda de Pais da Lua Nova deste ano. Para este bate-papo contamos com a presença de cerca de trinta pessoas, entre pais, mães e avós para compartilhamos dúvidas, angústias e boas experiências sobre: Fronteiras! Os limites entre o mundo dos adultos e o das crianças.


A Roda foi mediada por Marizabel Almeida, psicanalista e Orientadora Educacional do 5º ano, que deu início ao giro da Roda ao questionar sobre o que o termo “fronteira” suscita em cada um. A diversidade de opiniões foi grande, mas, entre idas e vindas repletas de visões de mundo singulares e ao mesmo tempo comuns, o termo fronteira, para a maioria, trouxe à tona questões sempre polêmicas sobre limites.


Desde o ano 2000, questões relativas a limites vêm sendo uma demanda constante na Roda de pais. E estes encontros tem se configurado como uma oportunidade de reflexão sobre o mundo, diálogo com a escola e alinhamento de posturas, e acima de tudo possibilidade dos próprios pais sugerirem caminhos uns para os outros.


Entre as fronteiras abordadas durante o encontro destaca-se à do mundo virtual que, com uma falsa sensação de segurança, possibilita uma longa viagem e muitos encontros sem sair do ambiente doméstico. “Não dá para proibir, pois viver este mundo virtual ajuda a desenvolver habilidades motoras e de velocidade do pensamento interessantes e propícias aos dias de hoje. Eles precisam falar a linguagem dos amigos”, disse uma voz que emergiu do grupo. Para contornar a situação o consenso foi a necessidade de conversar mais e criar espaços para reflexão.


Outra alternativa foi a de criar oportunidades de vivenciar outras coisas, para fora das fronteiras domésticas Daí surgiram as fronteiras geográficas de cidades, nada amigáveis para as crianças, que despertam medo nos pais e limitam os espaços de convivência; o que lança as crianças mais ainda para dentro das fronteiras da mídia eletrônica, que hoje adentram o mundo doméstico com um discurso massivo.


Então, como impedir que elas vivam sua infância diante de uma tela luminosa e desconheçam a cidade onde moram?. “Temos uma parcela de culpa gigante nisso. Quantos de nós dedica tempo para sentar e brincar com os filhos? Chegamos em casa mortos ou com mais trabalho para fazer e acabamos por recorrer aos iPads e iPhones da vida para ter um momento de sossego”, comentou um dos pais, que fez a Roda girar em torno da necessidade de rever tempos, comportamentos e prioridades. “É preciso fazer sacrifícios pessoais, deixar um pouco do nosso tempo de lazer e de descanso, da academia, para chegar junto, levar na escola, por exemplo”, disse outro pai.


Na busca por uma resposta a estes questionamentos veio à tona a implicação que o processo educativo traz para cada um. “Às vezes, ao lidar com certas situações no dia a dia das nossas crianças, precisamos retornar a nós mesmos e refletir sobre as nossas dificuldades em relação ao mundo. Em quase todas as situações vamos perceber que não sabemos como lidar com elas, sejam relativas ao mundo virtual, sexualidade, segurança, etc. Vamos ser mais tolerantes, menos preocupados”, comentou um dos responsáveis, diante da exposição de tantos temores e dificuldades para dizer não.


“O que é dar tudo? Será que as crianças não podem se frustrar? Receber um não? Será que elas não podem viver esta experiência? Elas vão chorar, gritar, dizer que odeiam a mãe. Mas elas estão aprendendo com isto.Como elas vão enfrentar o mundo se não estiverem preparadas para receber um não?”, interviu Marizabel, a mediadora do grupo.


O diálogo ultrapassou o limite das 21h e pareceu ter alguns consensos: é preciso permitir a vivência das experiências que a vida traz, mas também saber dizer não, colocar claramente as perdas diante das escolhas, conversar mais e criar espaços para reflexão. É preciso investir mais tempo, contar uma história na hora de dormir. “É na hora de dormir que elas mais se revelam. Uma boa oportunidade para se aproximar dos filhos. Olho no olho”, pontuou Marizabel.


A Lua Nova convidou Claudia Mascarenhas, psicanalista, doutora em psicologia clinica pela USP-SP, membro fundador do Instituto Viva Infância, membro do Espaço Moebius e autora de livros e artigos sobre Infância, para ministrar uma palestra na Livraria Cultura sobre precocidade, antecipação e, olha ele aí, limites. O evento acontece no segundo semestre e é uma boa oportunidade para aqueles que queiram se aprofundar no assunto.

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