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  • Escola Lua Nova

Toco um instrumento, logo aprendo tantas coisas mais

O professor de música da Lua Nova, Serafim Martinez, é um músico experiente. Fundador de diferentes bandas em Salvador como o Sombra Sonora (1993), Ataraxia (1996), Mano Véio (2001), Serafim e o Muzuá (2007), Serafim e a Vitrola Muderna (2011-2015), ele já dividiu palco com artistas de peso como Ney Matogrosso, Lenine, Chico César, entre outros. Mas não é somente sua longa história com os instrumentos, palcos, artista e canções que o habilita como um bom professor de música para os alunos da Escola Lua Nova. Além de ensinar crianças desde 2001 (desde 2006 na Lua Nova), Serafim é também mestrando em filosofia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Talvez esse acúmulo de conhecimento o tenha feito ir além em suas aulas. Na Lua Nova, ele não se contentou em ensinar as crianças a tirarem sons harmônicos dos instrumentos e acabou criando o Festival de Música da escola, que, segundo ele, foi uma ideia surgida “da necessidade das crianças expressarem seus afetos por meio da música de uma forma mais ampla”. O bate papo que tivemos com Serafim, transcrito abaixo, é uma oportunidade para a comunidade Lua Nova conhecê-lo mais de perto.


Lua Nova: Na sua perspectiva, qual a importância da atividade musical para as crianças?


Serafim Martinez: O objetivo principal é fortalecer a autoestima do estudante, revelando sua capacidade de superar desafios. Mas as aulas aumentam também sua capacidade de socialização. Além disso, acredito que o subsídio estético e lúdico do trabalho com a música seja uma maneira de despertar no aluno o interesse pelo conhecimento de uma maneira geral, estimulando-o no aprendizado de outras disciplinas como matemática, português, história, geografia e até filosofia.


Esse reflexo na matemática, por exemplo, é facilmente explicado, pois a teoria musical é também fundamentada em bases matemáticas. Acrescentaria também que a aula trabalha a capacidade de concentração, a paciência e a perseverança, bem como aprimora a capacidade psicomotora do aluno.


Lua Nova: A partir de que idade você entende que se pode introduzir a aprendizagem de um instrumento na vida de uma criança?


Serafim Martinez: No ensino de música para crianças existem dois estágios bem definidos. O primeiro é chamado de musicalização, que trabalha com crianças de seis meses aos seis anos. Nesse estagio a criança terá contato com diversos instrumentos musicais, com os compassos, andamentos, diversas timbragens e sons diferentes. Esse conteúdo é ministrado por meio de elementos lúdicos com jogos, dinâmicas, brincadeiras danças e historietas.


O segundo estágio é chamado de instrumentalização, e trabalha com crianças a partir dos seis anos de idade, no caso dos instrumentos de corda, sopro e teclas.  Um caso à parte é a iniciação musical percussiva (peles). Nela, é possível um trabalho de instrumentalização com crianças mais novas. A partir dos dois e três anos.


Lua Nova: Quando surgiu a ideia de realizar o festival? Quando foi a primeira edição e como tem sido essa experiência?


Serafim Martinez: A primeira edição do festival aconteceu em 2007. Queria expandir para além do ambiente da sala de aula, para os colegas de turma, a expressão dos afetos de meus alunos. Assim surgiu a ideia do festival, para que eles pudessem mostrar o conteúdo apreendido, além de poderem interagir com toda a comunidade direta da escola (colegas, professores, estagiários e funcionários) e a comunidade indireta (pais, irmãos, avós, primos e amigos que não estudam na Lua Nova).


Lua Nova: Como você acha que o seu trabalho se encaixa na proposta pedagógica da Lua Nova?


Serafim Martinez: A proposta desenvolvida na escola de levar a aquisição de conhecimentos proporcionando uma aprendizagem onde a criança possa se expressar de diferentes formas, por diversas linguagens, estando inteira no que faz, encontra na música e na iniciação musical fortes aliados.


A construção e assimilação teórica em conjunto, que a escola sempre trabalhou, também se aplicam ao aprendizado musical em sala de aula, onde os trios, quartetos e a orquestra de violões podem mostrar a força da união e entrelaçamento do conjunto e não apenas da individualidade. Esse aspecto da socialização por meio da arte tem o seu ápice no Festival de Música, no qual, além dos alunos do curso, também é convidada a participar toda a comunidade da escola, incluindo professores, funcionários, pais, avós, tios, primos e amigos.

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